NOTÍCIA DO DIA - Inadimplência já preocupa o comércio
Consumidores de menor poder aquisitivo estão com maior dificuldade para manter as contas em dia. A alta nos preços dos alimentos já corrói parte da renda do trabalhador. Resultado: começam a crescer os atrasos no pagamento de prestações de produtos financiados, como eletrodomésticos e móveis, segundo levantamento de Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, com base em dados do BC (Banco Central).
O aumento da inadimplência no crédito para aquisição de bens- excluindo os automóveis- começou a aparecer principalmente no final do ano passado. Um sinal, na avaliação de Borges, de que o consumidor brasileiro, especialmente o de menor poder aquisitivo, já não tem fôlego financeiro para se render ao crédito farto e extenso oferecido por bancos, financeiras e redes de lojas.
Apesar de a inadimplência de todos os tipos de crédito concedidos às pessoas físicas ter ficado estabilizada em cerca de 7% no segundo semestre de 2007, de acordo com dados do Banco Central, no financiamento para a compra de bens, como lavadoras, fogões e televisores, ela chegou a 12,4% -dado de dezembro do ano passado.
Em janeiro de 2007, a inadimplência estava em 11%, em novembro, em 12,3% e, em dezembro, em 12,4%. E, na estimativa de Borges, a tendência é a inadimplência continuar subindo neste semestre, já como reflexo das vendas mais elevadas no fim do ano passado. A taxa de inadimplência histórica no crédito para aquisição de bens entre junho de 2000 e dezembro de 2007 foi de 11,3%.
"As famílias de menor poder aquisitivo que financiaram a compra de bens estão tendo de gastar mais para adquirir a mesma quantidade de alimentos. Logo, sobra menos dinheiro no orçamento para pagar as dívidas. Isso está bem claro nos dados do BC", diz Borges.
A inadimplência para aquisição de automóveis está praticamente estabilizada e, no crédito pessoal, em queda. "Mas o crédito consignado (descontado diretamente da aposentadoria ou do salário do trabalhador) já representa 39% do crédito pessoal e a inadimplência, por definição, é zero. E, no crédito para a compra de automóveis, como as taxas de juros são menores e quem compra carro tem renda mais elevada, a inadimplência é, normalmente, menor", afirma o economista.
A Acrefi, associação que reúne 64 financeiras, informa que o atraso no pagamento das prestações em dezembro de 2007 subiu 8% em relação aos meses de outubro e novembro no caso de cinco financeiras consultadas pela entidade. Se havia 100 prestações em atraso, agora são 108 atrasadas.
Os prazos de financiamento oferecidos pelas instituições financeiras já estão mais curtos, segundo Borges, por conta da inadimplência. O prazo médio de financiamento para aquisição de bens, excluindo automóveis, que chegou a 223 dias em setembro de 2007, caiu para 199 dias em dezembro. E as taxas de juros, que eram de 54,5% ao ano em novembro do ano passado, pularam para 56,5% ao ano no mês seguinte.
Essa postura defensiva na concessão de financiamentos ainda não se vê no crédito para a compra de veículos, na avaliação de Borges, porque é menor o impacto da inflação de alimentos nos consumidores de maior poder aquisitivo- e eles ainda sentem os efeitos do aumento da renda e do emprego.
"O custo da cesta básica subiu de R$ 215 para R$ 259 de dezembro de 2006 para dezembro de 2007, ou R$ 44. O efeito desse aumento é muito mais dramático para quem ganha R$ 500 do que para quem recebe R$ 2.000 por mês."
A Serasa também constata que o consumidor está com mais dificuldades para pagar suas dívidas. Em 2007, subiu 1,7% o número de documentos (carnês, cartão de crédito, financiamento de carros) em atraso no banco de dados da Serasa em relação a 2006.
"A inadimplência está subindo desde outubro de 2007 porque o consumidor está cada vez mais endividado em longo prazo. Isso é preocupante, pois qualquer alta da inadimplência significa aumento do risco do empréstimo, que pesa contra a redução dos juros", diz Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa.
Em janeiro deste ano, a inadimplência medida pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo) foi 5,4% e ficou parecida com a de janeiro de 2007, de 5,6%. "O que preocupou mais é que o número de carnês em atraso cresceu 14,9% no período, e as consultas ao SPC [indicador das vendas a prazo], 7,2%. Seria bom que o número de carnês em atraso crescesse na mesma proporção que o número de consultas", diz Emílio Alfieri, economista da ACSP.
FSP 10/2/2008
O aumento da inadimplência no crédito para aquisição de bens- excluindo os automóveis- começou a aparecer principalmente no final do ano passado. Um sinal, na avaliação de Borges, de que o consumidor brasileiro, especialmente o de menor poder aquisitivo, já não tem fôlego financeiro para se render ao crédito farto e extenso oferecido por bancos, financeiras e redes de lojas.
Apesar de a inadimplência de todos os tipos de crédito concedidos às pessoas físicas ter ficado estabilizada em cerca de 7% no segundo semestre de 2007, de acordo com dados do Banco Central, no financiamento para a compra de bens, como lavadoras, fogões e televisores, ela chegou a 12,4% -dado de dezembro do ano passado.
Em janeiro de 2007, a inadimplência estava em 11%, em novembro, em 12,3% e, em dezembro, em 12,4%. E, na estimativa de Borges, a tendência é a inadimplência continuar subindo neste semestre, já como reflexo das vendas mais elevadas no fim do ano passado. A taxa de inadimplência histórica no crédito para aquisição de bens entre junho de 2000 e dezembro de 2007 foi de 11,3%.
"As famílias de menor poder aquisitivo que financiaram a compra de bens estão tendo de gastar mais para adquirir a mesma quantidade de alimentos. Logo, sobra menos dinheiro no orçamento para pagar as dívidas. Isso está bem claro nos dados do BC", diz Borges.
A inadimplência para aquisição de automóveis está praticamente estabilizada e, no crédito pessoal, em queda. "Mas o crédito consignado (descontado diretamente da aposentadoria ou do salário do trabalhador) já representa 39% do crédito pessoal e a inadimplência, por definição, é zero. E, no crédito para a compra de automóveis, como as taxas de juros são menores e quem compra carro tem renda mais elevada, a inadimplência é, normalmente, menor", afirma o economista.
A Acrefi, associação que reúne 64 financeiras, informa que o atraso no pagamento das prestações em dezembro de 2007 subiu 8% em relação aos meses de outubro e novembro no caso de cinco financeiras consultadas pela entidade. Se havia 100 prestações em atraso, agora são 108 atrasadas.
Os prazos de financiamento oferecidos pelas instituições financeiras já estão mais curtos, segundo Borges, por conta da inadimplência. O prazo médio de financiamento para aquisição de bens, excluindo automóveis, que chegou a 223 dias em setembro de 2007, caiu para 199 dias em dezembro. E as taxas de juros, que eram de 54,5% ao ano em novembro do ano passado, pularam para 56,5% ao ano no mês seguinte.
Essa postura defensiva na concessão de financiamentos ainda não se vê no crédito para a compra de veículos, na avaliação de Borges, porque é menor o impacto da inflação de alimentos nos consumidores de maior poder aquisitivo- e eles ainda sentem os efeitos do aumento da renda e do emprego.
"O custo da cesta básica subiu de R$ 215 para R$ 259 de dezembro de 2006 para dezembro de 2007, ou R$ 44. O efeito desse aumento é muito mais dramático para quem ganha R$ 500 do que para quem recebe R$ 2.000 por mês."
A Serasa também constata que o consumidor está com mais dificuldades para pagar suas dívidas. Em 2007, subiu 1,7% o número de documentos (carnês, cartão de crédito, financiamento de carros) em atraso no banco de dados da Serasa em relação a 2006.
"A inadimplência está subindo desde outubro de 2007 porque o consumidor está cada vez mais endividado em longo prazo. Isso é preocupante, pois qualquer alta da inadimplência significa aumento do risco do empréstimo, que pesa contra a redução dos juros", diz Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa.
Em janeiro deste ano, a inadimplência medida pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo) foi 5,4% e ficou parecida com a de janeiro de 2007, de 5,6%. "O que preocupou mais é que o número de carnês em atraso cresceu 14,9% no período, e as consultas ao SPC [indicador das vendas a prazo], 7,2%. Seria bom que o número de carnês em atraso crescesse na mesma proporção que o número de consultas", diz Emílio Alfieri, economista da ACSP.
FSP 10/2/2008
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