25.9.07

Por que os supermercados ainda não são o melhor lugar para se trabalhar

A cada ano, o setor de supermercados se consolida como um dos principais segmentos da economia. Para constatar essa realidade, basta olhar os números fornecidos pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Desde 2003 o setor apresenta crescimento contínuo, chegando a R$ 124 bilhões em 2006, o equivalente a 5% do PIB brasileiro. Diretamente, é responsável por 838 mil postos de trabalho, espalhados em 73,6 mil lojas em todo o país. Não bastasse isso, 13 redes estão na lista das 500 maiores companhias no Brasil. Notícias envolvendo o varejo são sempre destaque nos noticiários de economia e negócios e casos empresariais de empresas de auto-serviço são atualmente as grandes atrações das escolas de administração, marketing e negócio.

Diante de tamanha pujança, causa espanto constatar que nenhuma delas (ressalte-se, nenhum supermercado, seja de grande, médio ou pequeno porte) tenha sido mencionado nas duas relações de melhores empresas para se trabalhar no Brasil, publicadas recentemente por conceituados veículos de comunicação. As empresas do setor sequer são mencionadas na categoria de varejo. Neste caso, redes de outros segmentos como Magazine Luiza e Lojas Renner foram os destaques.

É claro que existem redes em todo o país com áreas de recursos humanos bem estruturadas, que investem na valorização de seus funcionários mas, infelizmente, ainda constituem exceção. E, como diz o velho ditado (comprovado pelas duas pesquisas), as exceções confirmam a regra. Comparados a outros segmentos, os supermercados ainda não estão entre as melhores empresas para se trabalhar no Brasil.

Um dos principais motivos dessa situação é a recente profissionalização do setor. Por décadas, os principais requisitos para o sucesso de um supermercado era o espírito empreendedor e o talento para a negociação de seus gestores. Até por ter uma operação mais simples, os supermercados não necessitavam de mão-de-obra especializada. Foi somente com a estabilização da economia e a concentração do setor, provocada pela chegada das grandes redes internacionais ao país no início da década de 90, que essa situação mudou.

Com a concorrência cada vez mais acirrada e o fim da chamada “ciranda financeira” que encobria suas perdas e improdutividade, as empresas passaram a necessitar de profissionais qualificados para reduzir custos e aumentar a eficiência de suas operações. Consumidores mais conscientes e exigentes também pressionaram os supermercados a oferecer não só preços baixos mas também ótimo atendimento. Todos estes fatores levaram as redes a valorizar o RH e a busca de talentos.

Mas mesmo com toda a evolução ocorrida nos últimos anos, a área de gestão de pessoas ainda não encontrou seu lugar na estratégia da grande maioria das organizações, que continua a priorizar a ganhos logísticos, escala e o poder de negociação junto aos fornecedores. Não que esses fatores não sejam importantes, mas os varejistas precisam perceber que a pressão competitiva atual exige uma mudança de foco em relação aos seus diferenciais. Eficiência operacional e preços competitivos nada mais são do que pré-requisitos para entrar no jogo. O que vai fazer a diferença é atrair, desenvolver e manter os melhores talentos do mercado para desenvolver conceitos, idéias e serviços inovadores. É o que empresas de outros setores, e até mesmo empresas de outros segmentos de varejo, já descobriram.

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