5.8.07

Jornal vai morrer como produto, não como modelo de negócio

Como produto, o jornal parece um Ford Modelo T correndo com os modernos carros de F-1.Traz notícias "velhas" do dia anterior, é desengonçado (é cada vez mais difícil encontrar um jovem abaixo dos 25 anos que se disponha a sujar as mãos abrindo e dobrando um jornal quando pode se informar rapidamente online pela internet ou até pelo celular), inviável logisticamente (só pode estar nas bancas ou na casa dos leitores dentro de um raio geográfico limitado), não "customizável", antiecológico (quantas árvores têm de ser derrubadas para garantir a edição do dia?) e não permite a mínima interatividade.
Não é à toda que as tiragens dos principais jornais do mundo venham caindo ano a ano, assim como a receita publicitária. A situação é tão dramática que a revista inglesa de negócios The Economist, em matéria de capa em uma de suas edição do ano passado, chegou a prever a data de seus fim: 2043.
Mas se o jornal como produto está com seus dias contatos, isso não ocorre com o seu modelo de negócios. Essa é a tese de Phillip Meyer, jornalista, editor, ex-executivo do Knight Ridder (um dos maiores grupos de comunicação dos EUA) e atualmente professor da Universidade da Carolina do Norte, em seu livro "Os jornais podem desaparecer?", recém-publicado no Brasil pela editora Contexto.
Na sua visão, a sobrevivência dos jornais não está na veiculação de notícias e sim na sua capacidade de influência sobre a opinião pública e a sociedade. "Um jornal influente terá leitores que confiam nele e, em conseqüência, valerá mais para seus anunciantes", defende.
De acordo com um estudo que realizou com 5,1 mil textos de diários norte-americanos e a avaliação dos leitores, os erros que mais abalam a credibilidade do jornal não são aqueles admitidos nas correções públicas (ou seja, os objetivos), mas os subjetivos: má avaliação das informações, contextualização equivocada, interpretação incorreta dos fatos, sensacionalismo, exagero e enviesamento. Ou seja, assim como em qualquer empresa, o jornal precisa agregar credibilidade à sua imagem, por meio da credibilidade e confiabilidade das notícias que publica.

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