12.2.08

NOTÍCIA DO DIA - "Os brasileiros podem relaxar"

Adrian Moser//Landov

Wolf: a importância comercial dos Estados Unidos já não é a mesma


Por Eduardo Salgado

O economista britânico Martin Wolf, de 61 anos, tem uma trajetória profissional fora do comum. Formado em economia pela Universidade de Oxford, Wolf começou sua carreira no Banco Mundial e, em poucos anos, chegou ao cargo de economista sênior. Em 1987, aos 41 anos, decidiu dar uma guinada profissional e aceitou a proposta para trabalhar no jornal Financial Times. Desde então, construiu uma reputação sem igual no jornalismo econômico como um dos colunistas de maior repercussão mundial. Wolf escreve seis artigos mensais sobre os mais variados temas da atualidade, nos quais alia precisão acadêmica a senso jornalístico. Seu último livro, Why Globalization Works ("Por que a globalização funciona", numa tradução livre), lançado em 2004, foi considerado pela revista The Economist uma das melhores interpretações do momento atual da economia mundial. Nos últimos anos, o conjunto de sua obra lhe rendeu os títulos de doutor honoris causa da renomada London School of Economics e da Universidade de Nottingham. Casado há 37 anos e pai de três filhos, Wolf vive em Londres, de onde concedeu por telefone a seguinte entrevista a EXAME.

Em 1987, quando a Bolsa de Valores de Nova York teve sua "segunda-feira negra", muitos analistas disseram que estávamos prestes a ter uma crise no capitalismo, o que, vemos hoje, não aconteceu. Em 1997, os mesmos críticos culparam a globalização pela crise asiática e fizeram previsões catastróficas, que mais uma vez não se materializaram. Em 2000, a situação se repetiu. Afinal, a globalização transformou o mundo num lugar menos vulnerável?
Estou razoavelmente certo de que a crise atual não é a que vai acabar com o capitalismo. Afinal, nem mesmo a da década de 30 conseguiu isso. Tudo é possível -- só Deus sabe --, mas acho que podemos ignorar essa possibilidade. A crise atual certamente não será uma enorme reviravolta que afetará profundamente as possibilidades da economia mundial como um todo.

Quais serão seus efeitos?
Ela será muito debilitante para os Estados Unidos por algum tempo. Como é uma crise no sistema de crédito e no principal sistema financeiro do mundo, é bem diferente das que tivemos desde o final dos anos 80. De certo modo, é bem parecida com a japonesa, devido ao tipo de instituição envolvida e por estar ligada à queda do valor das casas, o que afeta muitas pessoas. Nesse sentido, será uma crise financeira mais séria e mais longa para os Estados Unidos e outros países desenvolvidos do que as que tivemos nos últimos 20 e poucos anos. Por isso, é provável que provoque mudanças no marco regulatório do sistema financeiro.

O senhor chega a prever crescimento negativo nos Estados Unidos?
Crescimento negativo é algo muito raro em economias dinâmicas. De qualquer forma, a situação já será grave caso tenhamos dois ou três anos em que a demanda doméstica nos Estados Unidos cresça mais lentamente do que a produção potencial. E acho que isso é possível se os americanos começarem a economizar mais. Afinal, o consumo lá representa cerca de 70% da demanda. Isso é exatamente o que aconteceu no Japão nos anos 90. Houve grande perda de riqueza porque o preço dos imóveis despencou e isso afetou a expansão de crédito.

Nesse sentido, quais serão os efeitos desta crise americana para a economia global?
Países como o México e o Canadá, muito ligados comercialmente aos Estados Unidos, provavelmente serão mais afetados. Os efeitos secundários, provocados pela falência no sistema de crédito, deverão afetar os bancos europeus, que serão mais cuidadosos a partir de agora. Isso trará conseqüências para a economia européia, mas é pouco provável que afete muito os países asiáticos.

Pelo jeito, o senhor é partidário da tese do descolamento da economia americana da mundial...
Estamos caminhando para um mundo no qual a importância dos Estados Unidos como poder comercial e fonte de demanda no sistema de comércio mundial será fortemente reduzida. As exportações de mercadorias da China agora são tão grandes quanto as dos Estados Unidos. As importações dos chineses já são equivalentes a pelo menos dois terços das americanas. Estamos claramente mudando para um mundo no qual outros poderes contam muito, contam especificamente no mercado de commodities. Ou pelo menos a China conta. E esses países são também fortemente independentes dos Estados Unidos do ponto de vista financeiro. Portanto, por mais que seja impossível um descolamento, o impacto de uma redução na economia americana será muito menor do que foi no início da década de 90 ou até mesmo no início desta década. É nesse sentido que acho que o momento atual pode ser descrito como uma crise americana -- e também uma crise para o novo capitalismo financeiro.

Mas a China não depende de suas exportações para o mercado americano?
As exportações diretas da China para os Estados Unidos correspondem a 8% do PIB chinês. A maior parte desses produtos só pode ser comprada da China porque não há substitutos fáceis. Mas digamos que o cenário mais pessimista possível se materialize e as exportações chinesas para os Estados Unidos caiam 25% em um ano. Ainda assim, o PIB chinês teria queda de 2 pontos percentuais, de 11% para 9% ao ano, o que não me parece um desastre. Essa seria a perda direta máxima. Além do mais, é importante lembrar que a China tem um imenso saldo comercial e de conta corrente e imensas reservas em moeda estrangeira. Portanto, o país pode perder exportações sem nem chegar perto do equilíbrio na balança comercial. Se o governo chinês decidir crescer o gasto em outras coisas que aumentem suas importações, não haverá problema. A idéia de que a redução na economia dos Estados Unidos vai destruir a economia da China me parece muito improvável.

Pelo que o senhor está dizendo, os exportadores brasileiros de commodities podem dormir tranqüilos.
É importante lembrar que os preços das commodities estão muito elevados e que, por isso, caso haja uma significativa redução na demanda americana, já que o país continua representando 25% ou 30% da economia mundial, haverá um efeito indireto nos preços. Entretanto, pela primeira vez desde a Revolução Industrial há países em desenvolvimento com demanda por commodities maior do que a de países desenvolvidos. Somente uma depressão nos Estados Unidos, algo que o Fed -- o banco central americano -- decidiu que não vai permitir que aconteça, poderá afetar os exportadores de commodities que são fortemente ligados aos países asiáticos. Sim, os brasileiros podem relaxar.

Exame edição 7/2/2008

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NOTÍCIA DO DIA - Inadimplência já preocupa o comércio

Consumidores de menor poder aquisitivo estão com maior dificuldade para manter as contas em dia. A alta nos preços dos alimentos já corrói parte da renda do trabalhador. Resultado: começam a crescer os atrasos no pagamento de prestações de produtos financiados, como eletrodomésticos e móveis, segundo levantamento de Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, com base em dados do BC (Banco Central).
O aumento da inadimplência no crédito para aquisição de bens- excluindo os automóveis- começou a aparecer principalmente no final do ano passado. Um sinal, na avaliação de Borges, de que o consumidor brasileiro, especialmente o de menor poder aquisitivo, já não tem fôlego financeiro para se render ao crédito farto e extenso oferecido por bancos, financeiras e redes de lojas.
Apesar de a inadimplência de todos os tipos de crédito concedidos às pessoas físicas ter ficado estabilizada em cerca de 7% no segundo semestre de 2007, de acordo com dados do Banco Central, no financiamento para a compra de bens, como lavadoras, fogões e televisores, ela chegou a 12,4% -dado de dezembro do ano passado.
Em janeiro de 2007, a inadimplência estava em 11%, em novembro, em 12,3% e, em dezembro, em 12,4%. E, na estimativa de Borges, a tendência é a inadimplência continuar subindo neste semestre, já como reflexo das vendas mais elevadas no fim do ano passado. A taxa de inadimplência histórica no crédito para aquisição de bens entre junho de 2000 e dezembro de 2007 foi de 11,3%.
"As famílias de menor poder aquisitivo que financiaram a compra de bens estão tendo de gastar mais para adquirir a mesma quantidade de alimentos. Logo, sobra menos dinheiro no orçamento para pagar as dívidas. Isso está bem claro nos dados do BC", diz Borges.
A inadimplência para aquisição de automóveis está praticamente estabilizada e, no crédito pessoal, em queda. "Mas o crédito consignado (descontado diretamente da aposentadoria ou do salário do trabalhador) já representa 39% do crédito pessoal e a inadimplência, por definição, é zero. E, no crédito para a compra de automóveis, como as taxas de juros são menores e quem compra carro tem renda mais elevada, a inadimplência é, normalmente, menor", afirma o economista.
A Acrefi, associação que reúne 64 financeiras, informa que o atraso no pagamento das prestações em dezembro de 2007 subiu 8% em relação aos meses de outubro e novembro no caso de cinco financeiras consultadas pela entidade. Se havia 100 prestações em atraso, agora são 108 atrasadas.
Os prazos de financiamento oferecidos pelas instituições financeiras já estão mais curtos, segundo Borges, por conta da inadimplência. O prazo médio de financiamento para aquisição de bens, excluindo automóveis, que chegou a 223 dias em setembro de 2007, caiu para 199 dias em dezembro. E as taxas de juros, que eram de 54,5% ao ano em novembro do ano passado, pularam para 56,5% ao ano no mês seguinte.
Essa postura defensiva na concessão de financiamentos ainda não se vê no crédito para a compra de veículos, na avaliação de Borges, porque é menor o impacto da inflação de alimentos nos consumidores de maior poder aquisitivo- e eles ainda sentem os efeitos do aumento da renda e do emprego.
"O custo da cesta básica subiu de R$ 215 para R$ 259 de dezembro de 2006 para dezembro de 2007, ou R$ 44. O efeito desse aumento é muito mais dramático para quem ganha R$ 500 do que para quem recebe R$ 2.000 por mês."
A Serasa também constata que o consumidor está com mais dificuldades para pagar suas dívidas. Em 2007, subiu 1,7% o número de documentos (carnês, cartão de crédito, financiamento de carros) em atraso no banco de dados da Serasa em relação a 2006.
"A inadimplência está subindo desde outubro de 2007 porque o consumidor está cada vez mais endividado em longo prazo. Isso é preocupante, pois qualquer alta da inadimplência significa aumento do risco do empréstimo, que pesa contra a redução dos juros", diz Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa.
Em janeiro deste ano, a inadimplência medida pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo) foi 5,4% e ficou parecida com a de janeiro de 2007, de 5,6%. "O que preocupou mais é que o número de carnês em atraso cresceu 14,9% no período, e as consultas ao SPC [indicador das vendas a prazo], 7,2%. Seria bom que o número de carnês em atraso crescesse na mesma proporção que o número de consultas", diz Emílio Alfieri, economista da ACSP.
FSP 10/2/2008

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9.2.08

FRASE DA SEMANA

"A publicidade offline será online em algum momento dos próximos dez anos."

Steve Ballmer - CEO da Microsoft

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7.2.08

NOTÍCIA DO DIA - Bovespa registra volume recorde no sistema "home broker"

O interesse de investidores do tipo pessoa física impulsionou um volume recorde de negócios no sistema "home broker" da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) em janeiro. Segundo a Bolsa, a negociação de ações pela internet movimentou R$ 24,74 bilhões no mês passado, ante R$ 19,50 bilhões em dezembro. O sistema home broker também já responde por 10,34% do giro financeiro total da Bovespa.

O crescimento pode ser visto pelas estatísticas da CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação de Custódia), que registrou 466.830 contas de investidores pessoa física em janeiro, ante 456.557 em dezembro.

A demanda dos investidores pessoa física também se reflete na criação dos clubes de investimentos: em janeiro, a criação de grupos foi recorde (85).

Participação

A Bovespa registrou um volume financeiro de R$ 126,50 bilhões em janeiro, contra R$ 113,35 bilhões no mês anterior. A média foi de R$ 5,63 bilhões por dia, ante R$ 6,30 bilhões em dezembro.

Os investidores estrangeiros ainda "dominam" os negócios, com participação de 35,20% do giro total, seguido por 30,10% dos investidores institucionais. Os investidores pessoa física responderam por 23,82% do volume de janeiro, enquanto as instituições financeiras, por 8,94%.

Folha Onlina

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6.2.08

NOTÍCIA DO DIA - ANBID tem R$ 12 bilhões em ofertas públicas em janeiro

Os registros de ofertas públicas na Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) mostram que, a despeito da crise financeira internacional, cresceu o valor das ofertas registradas na entidade em janeiro deste ano. No mês passado, foi registrado um volume de R$ 12 bilhões em ofertas públicas, resultado 87,5% maior aos R$ 6,4 bilhões de igual mês de 2007.
Foram registradas 13 ofertas públicas ante as 12 do mesmo período do ano passado. Desse total de ofertas, segundo a Anbid, seis se referem a debêntures, duas, a ações e uma, a nota promissória.
Outro destaque foi o registro de três OPA (ofertas de aquisições de ações) e de um CRI (certificado de recebíveis imobiliários), tendo em vista que no mesmo período do ano anterior não houve registro nem de OPA, tampouco de CRI.

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1.2.08

FRASE DA SEMANA

"Não consumimos produtos, mas sim, a imagem que temos deles."

Philip Kotler

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